Pela segunda vez consecutiva, um vinho brasileiro integra a World's Best Sommeliers' Selection, uma das seleções mais prestigiosas do mercado enológico internacional. Em 2026, o eleito é o Grama 2024, corte de Sauvignon Blanc (90%) e Sémillon (10%), produzido pela Casa Tés, vinícola instalada no município de Itamonte, no Vale da Grama, na Serra da Mantiqueira mineira.
Os resultados foram divulgados em Londres e reúnem 115 vinhos de 16 países: uma lista que reflete o olhar criterioso de alguns dos mais renomados sommeliers do planeta. O Brasil figura como o único representante sul-americano na seleção, o que por si só é um dado expressivo para o setor vitivinícola nacional.
Um terroir de altitude que surpreende o mundo
A Serra da Mantiqueira vem consolidando sua identidade como uma das regiões mais promissoras para a produção de vinhos brancos no Brasil. Localizada entre 950 e 1.300 metros de altitude, a área é marcada por grande amplitude térmica entre o dia e a noite: condição fundamental para a preservação de acidez e aromas finos nas uvas.
A Casa Tés foi fundada em 2017 pelo advogado Pedro Testa em um terreno irregular, rochoso e repleto de afloramentos graníticos. A proposta desde o início foi trabalhar o terroir de forma minimalista, respeitando as características únicas do solo e do clima local. O resultado é um vinho que não tenta imitar estilos europeus: mas que apresenta uma linguagem própria, brasileira, de altitude.
O que os sommeliers disseram sobre o Grama 2024
Os profissionais que avaliaram o rótulo na seleção descreveram o Grama 2024 como uma "interpretação elegante e precisa do Sauvignon Blanc brasileiro". As notas de degustação apontam para um vinho com aromas de maçã verde, raspas de limão, flor de laranjeira e madressilva, evoluindo no palato para toques tropicais de pêssego, abacaxi e maracujá: com textura cremosa e acidez marcada.
A integração entre as cepas Sauvignon Blanc e Sémillon: este último conferindo volume e complexidade: é apontada como um dos diferenciais do blend. A vinificação cuida de cada detalhe para preservar a frescor natural da altitude.
O que significa para o vinho brasileiro
A presença do Brasil na World's Best Sommeliers' Selection pelo segundo ano consecutivo não é coincidência. Ela reflete um conjunto de fatores que vêm se somando nos últimos anos: investimento em tecnologia vitivinícola, exploração de novos terroirs, adoção de práticas sustentáveis e um refinamento crescente das técnicas de vinificação.
Para o mercado nacional, o reconhecimento internacional tem um efeito imediato: amplia o interesse de importadores e distribuidores estrangeiros por rótulos brasileiros, e reforça a percepção de valor para o consumidor interno, que passa a enxergar com mais confiança a produção local de alto nível.
Região que cresce em visibilidade
A Serra da Mantiqueira ganhou, nos últimos anos, indicação geográfica reconhecida pelo governo brasileiro, o que abre portas para a exportação com identidade territorial definida. Além da Casa Tés, outras produtoras da região vêm conquistando espaço em avaliações internacionais e nas cartas dos melhores restaurantes brasileiros.
O Vale da Grama, onde está localizada a vinícola, reúne características geológicas raras: o granito prevalece no solo, conferindo mineralidade e nervosidade aos vinhos. Combinado com o clima de altitude, o resultado é uma produção de personalidade marcante e difícil de reproduzir em outras condições.
Um sinal para o setor
A conquista da Casa Tés vai além do mérito individual de um rótulo. Ela aponta que a vitivinicultura brasileira atingiu um nível de maturidade capaz de dialogar, em igualdade de condições, com as grandes regiões produtoras do planeta. Para um setor que lida constantemente com o desafio de posicionar o vinho nacional frente à concorrência importada, é um sinal de que o caminho percorrido nas últimas décadas começa a render os frutos esperados.
