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Marcelo dos Santos: EU NÃO BEBO VINHO BRASILEIRO!

Uma provocação em forma de declaração de amor ao vinho nacional, suas histórias, suas raízes e sua evolução dentro e fora da taça.

EU NÃO BEBO VINHO BRASILEIRO!

Apresentação

Antes de explicar porque eu não bebo vinho brasileiro, peço licença para que eu possa me apresentar. Sou Marcelo dos Santos e tenho 38 anos, nasci em Iraí-RS, uma pequena cidade no norte do Rio Grande do Sul, mas vivi praticamente toda a minha infância e juventude na cidade vizinha chamada Frederico Westphalen-RS. Foi lá que criei raízes, vivi em um mundo de sonhos e, é claro, bebi vinho pela primeira vez.

A chegada a Bento Gonçalves

Em 2014 fui morar em Bento Gonçalves, e é aí que a história muda de rumo. Além de um trabalho administrativo de segunda a sexta, minha esposa e eu começamos, em 2015, a trabalhar aos finais de semana em uma vinícola no Vale dos Vinhedos chamada Torcello. Foi lá que nos aprofundamos no mundo do vinho, e foi lá que percebi, mesmo sendo Bacharel em Direito, que o vinho fazia o meu coração pulsar. Foi com naturalidade que comecei a ler, entender, degustar, e até mesmo assinar clubes de vinhos. Meu próximo passo era fazer um curso de Sommelier.

A formação e os concursos

Depois de alguns percalços, em 2018, comecei a trabalhar na Cooperativa Vinícola Aurora, da qual faço parte até os dias atuais. Ao ingressar na casa, me propus a iniciar o curso de Sommelier pela ABS/RS, e foi aí que realmente o conhecimento, a atuação e a sensibilidade sobre esse mundo se sobressaíram. Foi um divisor de águas. Comecei a espalhar esse conhecimento na Aurora, em degustações, feiras e eventos, era um momento em que eu me sentia preparado. E diante desse preparo, me propus a participar do meu primeiro concurso, em 2023, onde fui eleito o 2º Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul pela ABS/RS. Em 2025, o ápice se fez ao me tornar o Campeão do 1º Desafio Sul Brasileiro de Sommeliers, o que me deu o título de Melhor Sommelier do Sul do Brasil, através do primeiro Reality de vinhos da televisão brasileira, realizado pela Band Paraná e Centro Europeu. Mais recentemente, em 2026, novamente cheguei em mais uma final, onde fui eleito o 3º Melhor Sommelier do Rio Grande do Sul.

Atuação profissional e família

Atualmente, além de formação em Direito e Sommelier, também sou formado em Gestão Estratégica de Marketing e Inteligência Competitiva. Trabalho na Vinícola Aurora, no setor de Trade Marketing, onde realizo inúmeras atividades pertinentes ao vinho, desde criação e manutenção de fichas técnicas, feiras e eventos, degustações, treinamentos e consultorias internas. Além disso, participo também de eventos e degustações temáticas a nível regional. Resido em Bento Gonçalves, e comigo, no ceio de uma família com muito amor, vivem duas pessoas: minha esposa Pricila, que sempre me apoia e está comigo em todas as situações, e um menino de 6 anos, meu filho Theo, que me orgulha a cada dia pela sabedoria, respeito e compreensão. Amo os dois com toda a minha força.

Mas porque eu não bebo vinho brasileiro?

Porque o vinho brasileiro não deve ser bebido, deve ser compreendido. O vinho brasileiro deve ser estudado, analisado e trabalhado. O vinho brasileiro precisa de um olhar mais atento, minucioso, apaixonante. O vinho brasileiro carrega histórias, cultura, raízes, segredos. O vinho brasileiro é nosso, é do Brasil, é daqui, é dali. O vinho brasileiro está no sul, no centro, no norte. O vinho brasileiro, quando escorre pela garrafa e desliza pela taça, carrega consigo o suor de um povo guerreiro, que enfrentou muitas coisas para poder entregar um produto que desce feliz pela garganta aquecendo o coração. Eu não bebo vinho brasileiro, e você também não deveria, pois o vinho brasileiro precisar ser consumido com alegria, prazer, como um alimento, com vida. O vinho brasileiro precisa de mim, de você, de todos nós.

O Brasil na contramão do mundo

O mundo é vasto, e o mundo do vinho faz parte dessa vastidão, pois são dezenas de países produtores, desde o velho mundo até o novo mundo. Vivenciamos algumas coisas diferentes hoje, onde o consumo diminui, vinhedos são arrancados, produtores fecham vinícolas, e por aí vai. Mas, felizmente, no Brasil isso não vem acontecendo, pois estamos correndo na contramão, e o nosso país não só vem crescendo, como vem desenvolvendo coisas muito boas, em todos os lugares. Os vinhos brasileiros evoluíram, e hoje recebem medalhas mundo afora. Mundo esse, que volta os olhos para o nosso país, pois perceberam que tem coisas boas acontecendo por aqui. Espumantes, vinhos brancos, vinhos tintos, licorosos, uma infinidade de coisas muito interessantes está se sobressaindo. E que continue assim, pois quem tem a ganhar somos todos nós.

Degustar histórias

Eu não bebo vinho brasileiro, eu degusto histórias, ciente do passado difícil, feliz com o presente voraz e esperançoso com um futuro brilhante.

Marcelo dos Santos
Sobre o colunista

Marcelo dos Santos

Sommelier formado pela ABS/RS, Marcelo dos Santos atua na Vinícola Aurora desde 2018. É escritor, educador do vinho e premiado entre os melhores sommeliers do RS e do Sul do Brasil.

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