O enoturismo deixou de ser uma atividade complementar para se tornar uma das principais estratégias de negócio das vinícolas brasileiras. É o que revela levantamento do Sebrae, que indica que 85% das vinícolas do país já incorporaram visitas, degustações e experiências turísticas como parte de seu modelo de receita: com 63,7% adotando a diversificação como estratégia competitiva ativa.
Os números refletem uma transformação que foi acelerada nos últimos anos por uma confluência de fatores: a pandemia, que estimulou o turismo doméstico e o interesse por experiências locais; o crescimento do enoturismo internacional como fenômeno de viagem; e a conscientização crescente dos produtores de que a relação direta com o consumidor final: dentro da propriedade: é a forma mais eficiente de construir fidelidade de marca e margem.
Destinos consolidados e emergentes
O mapa do enoturismo brasileiro tem regiões com trajetos bem diferentes de maturidade.
No Sul, o Vale dos Vinhedos: a primeira indicação de procedência de vinhos do Brasil, no Rio Grande do Sul: segue como o destino mais visitado, combinando infraestrutura hoteleira robusta, gastronomia de alto nível e vinícolas com estrutura consolidada de recepção. A Campanha Gaúcha cresce como alternativa para quem busca uma experiência mais rural e menos masificada.
Em Santa Catarina, a Serra Catarinense: com altitude entre 900 e 1.400 metros: oferece uma paisagem de vinhedos diferenciada, especialmente nas cidades de São Joaquim, Urupema e Bom Retiro. Os vinhos da região, conhecidos pelo frescor e elegância, são um atrativo adicional para o turista especializado.
No Nordeste, o Vale do São Francisco: que produz vinho em clima semiárido, com duas safras por ano: representa uma das experiências mais singulares do enoturismo mundial. A contraintuitiva combinação de calor intenso, irrigação e produção vitivinícola é um chamariz para turistas em busca de algo fora do comum.
No Centro-Oeste, o Cerrado do Distrito Federal começa a estruturar sua oferta enoturística com eventos como a Expovitis e a Corrida do Vinho, sinalizando que a região tem ambição de entrar no mapa dos destinos consolidados.
O que o turista de vinho procura
O perfil do enoturista brasileiro evoluiu. Se antes a motivação principal era a degustação gratuita de vinhos, hoje o visitante busca experiências mais imersivas e educativas: colheita participativa, harmonização guiada, aulas de vinificação, visitas ao processo de produção, jantares exclusivos entre barricas. As vinícolas que investiram em estrutura para oferecer esse tipo de experiência são as que apresentam melhores índices de retorno e indicação.
O enoturismo como estratégia de marca
Para além da receita direta gerada por ingressos e vendas no ponto de visita, o enoturismo funciona como ferramenta poderosa de construção de marca. Um consumidor que visitou uma vinícola, conversou com o produtor e viveu uma experiência positiva torna-se um embaixador natural daquela marca. Em um mercado em que a concorrência de rótulos importados é crescente, esse vínculo emocional é um diferencial que não tem preço de prateleira.
