Somos um casal apaixonado por vinhos, gastronomia e enoturismo. Moramos metade do ano em Mendoza e já visitamos 96 vinícolas por aqui e 201 ao redor do mundo. Mas para quem curte vinho e ainda não embarcou nessa ideia de viajar para conhecer vinícolas, precisa entender que o enoturismo vai além do vinho (muitas vezes o vinho nem será o principal), enoturistas de carteirinha estão em busca da experiência que envolve paisagem, cultura, gastronomia, atendimento, arquitetura, história e conexão com o lugar.
Um dos nossos destinos favoritos de enoturismo, como você pode perceber é Mendoza. Produz 70% do vinho argentino com mais de 900 vinícolas espalhadas pela região. Tem diferentes experiências para diferentes tipos de turistas: desde as grandes vinícolas, passando por vinícolas antigas com história, vinícolas modernas com arquitetura imponente, até pequenos produtores com poucas garrafas por safra. Essa diversidade é a que a torna tão interessante como destino.
O que a gente percebeu é que cada pessoa busca uma coisa diferente. Tem quem vá só nas vinícolas mais famosas, quem prefira mesclar experiências, quem busque apenas o premium, quem priorize o custo-benefício e quem queira descobrir rótulos completamente desconhecidos. O mais importante é entender o que você quer e gosta, e a partir disso escolher o que faz mais sentido para sua viagem. Aqui tem opções para todos os gostos e bolsos.
E nesse ponto de gostos e bolsos é importante entender que para quem veio aqui para Mendoza antes de 2022, viveu uma realidade com valores desalinhados com o que é hoje. Hoje é um destino onde é possível economizar, fazer escolhas inteligentes, mas não é um destino barato. Também não é um destino onde você chega e improvisa, a maioria das vinícolas exigem reserva, geralmente não é possível entrar e só tomar uma taça de vinho.
Gastronomia de altíssima qualidade
Em 2025, a região ganhou 6 restaurantes com 1 estrela Michelin (fomos em todos) e mais 18 com recomendação (fomos em 16). A maioria desses restaurantes premiados fica nas vinícolas, onde o que a gente acha mais interessante é que valorizam muito as raízes e geralmente os chefs trabalham com cozinha local, com produtores locais e menu de estação. Ou seja, você pode provar além de excelentes cortes de carne, também peixe (como a truta), e muitos legumes e vegetais super bem elaborados. A região também atende os vegetarianos e veganos.
Uma coisa bem marcante com relação aos almoços em vinícolas é que tem opções para diferentes bolsos. A maioria trabalha com menu de passos harmonizados, geralmente de 3 a 7 passos com vinhos, o que deixa as experiências super completas, e também mais caras. Mas a região vem se democratizando e novas propostas de almoços descontraídos no jardim com picnic, empanada, pizza, sanduíche e vinho com preços acessíveis vem surgindo. O legal é que você consegue mesclar as experiências, fazer um dia com menu harmonizado e outro com proposta mais descontraída para equilibrar os gastos. Na cidade tem bastante restaurante acessível também.
Mas aqui não é só vinícola
Muita gente acha que é só vinícola. Mas tem outros passeios que você pode incluir no seu roteiro e variar os dias de vinho com: cavalgada, rafting, trilha, passeio de balão, museu do vinho, tango, parques, veleiro, passeio na montanha, passeio de bicicleta, aula de culinária, visita a olivícola, shoppings e shoppings gastronômicos.
Costumamos chamar de "Disney dos adultos" porque atende diferentes públicos. Casais, grupos de amigos e famílias encontram muitas opções por aqui. Já famílias com crianças e adolescentes dependendo da idade e época do ano podem encontrar dificuldades na hora de fechar uma programação. Sabemos que não é um local tão adaptado para crianças quanto a África do Sul, por exemplo, que oferece parques e degustações infantis nas vinícolas, mas algumas vinícolas por aqui já criaram experiências pensadas especificamente para os pequenos.
As estações e como elas definem a experiência
A região é um destino para o ano todo, mas cada estação oferece experiências bem diferentes. No inverno, considerada alta temporada, é possível ver neve em algumas regiões de vinícola, no passeio da Alta Montanha e em Las Leñas, onde fica a estação de esqui. Embora muita gente imagine neve na cidade, isso é raro e quando acontece, é um evento especial. Em 2025 pegamos uma super neve no centro (que não nevava desde 2017), e esse ano teve uma "semi-neve".
No verão o calor é intenso, e é a temporada de chuvas e granizos. É também quando acontecem muitas festas ao ar livre, festivais de música eletrônica e os famosos sunsets que geralmente terminam no fim de abril, quando as temperaturas já começam a ficar mais baixas para a realização de eventos externos.
Na primavera e no outono o clima é mais tranquilo e ameno. Nós curtimos muito por aqui no outono, onde o frio começa a aparecer e as folhas começam a ficar de todas as cores: as paisagens ficam lindíssimas.
Uma época bem bonita também é na vindima, que é mais ou menos na mesma época do Brasil. A semana das festas da vindima são geralmente na última de fevereiro ou a primeira de março e possui uma programação bem bacana. As vinícolas não possuem tantas atividades, mas a cidade fica bem animada. Nós fomos em vários eventos bem típicos da cultura local e amamos!
Sabemos que muitos buscam Mendoza pelos malbecs, mas beber vinho tinto no jardim em janeiro pode ser complicado. Recomendamos também provar brancos e rosés para quem quer curtir o verão por aqui. A região é linda em todas as épocas, mas tem que entender o tipo de experiência que você está buscando.
Como aproveitar bem uma viagem
Se você está pensando em viajar para a região, aqui vai a dica de ouro: máximo 2 vinícolas por dia e reserve alguns dias para outros passeios, seu fígado agradece. O segredo é planejar com antecedência, com pelo menos 60 a 90 dias de antecedência, pensando no que realmente quer vivenciar. Sobre como se locomover, jamais alugue carro, além de não poder beber e dirigir, tem muita lei seca por aqui e não vale a pena arriscar. É uma cidade para curtir sem pressa e com planejamento. Afinal, destino de vinho é feito para curtir sem pressa e não para maratonar vinícolas.
E tudo isso torna a cidade tão especial, um destino indispensável para o enoturista. A viagem não é só pelo vinho, é pela experiência e a possibilidade de montar mil viagens diferentes que certamente vai combinar com você. Já recebemos algumas mensagens de quem já veio uma vez para cá, “entendi tudo, o motivo de vocês ficarem tanto aí, pensei que 5 dias era suficiente”, e nunca é. A região é viciante, todo mundo que vem quer voltar. E como a gente sempre diz, você pode viver anos por aqui e sempre vai ter coisas novas para fazer e descobrir.

