A 21ª Seleção de Vinhos de Farroupilha será realizada nos dias 4 e 5 de agosto de 2026 com números inéditos. Ao todo, o concurso recebeu 277 amostras, apresentadas por 14 vinícolas do município.
Os resultados representam os maiores índices de participação registrados desde a criação da iniciativa. Além disso, confirmam o avanço da produção vitivinícola local e o fortalecimento de Farroupilha como referência nacional na elaboração de produtos à base de uvas moscatéis.
Promovido pela Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados, a Afavin, o concurso acompanha há mais de duas décadas a evolução dos produtos elaborados na região.
Nesta edição, 44 especialistas participarão das avaliações. O grupo será formado por enólogos, jornalistas, profissionais do setor e representantes de instituições ligadas à vitivinicultura.
As degustações ocorrerão às cegas. Portanto, os jurados não terão acesso à identidade das vinícolas ou dos rótulos durante a análise. A cerimônia de premiação está marcada para o dia 11 de setembro de 2026.
Seleção de Vinhos de Farroupilha chega à maior edição da história
Criada para acompanhar a qualidade dos vinhos e derivados produzidos no município, a Seleção de Vinhos de Farroupilha tornou-se uma das principais ações institucionais da Afavin.
O concurso não se limita à entrega de medalhas. Ao longo dos anos, ele também passou a funcionar como uma ferramenta de avaliação técnica, comparação de resultados e incentivo ao aperfeiçoamento dos produtos.
O aumento do número de amostras e de empresas participantes demonstra o crescimento do setor. Ao mesmo tempo, revela o interesse das vinícolas em submeter seus produtos a análises conduzidas por profissionais especializados.
Em 2026, a organização também ampliou o espaço dedicado aos produtos elaborados com a uva Moscato. A variedade ocupa posição central na identidade vitivinícola de Farroupilha e está diretamente ligada à Indicação de Procedência reconhecida no município.
Concurso amplia reconhecimento dos derivados de Moscato
A edição deste ano contempla vinhos tranquilos, espumantes, frisantes, sucos de uva, mistelas, destilados e produtos elaborados com diferentes técnicas.
Além disso, novas categorias foram incluídas para acompanhar as mudanças na produção regional. Entre elas estão os espumantes Moscatel Natur, Extra Brut, Brut e Demi-sec.
O concurso também passou a avaliar vinhos produzidos com mínima intervenção enológica, incluindo exemplares orgânicos e biodinâmicos. Outra novidade é a categoria destinada ao Brandy de Moscato.
Com essa ampliação, a Afavin busca reconhecer novos estilos de elaboração e mostrar a diversidade de produtos que podem ser obtidos a partir das variedades moscatéis cultivadas na região.
Afavin destaca evolução da vitivinicultura local
Para a presidente da Afavin, Natália Taffarel, a Seleção de Vinhos representa o compromisso dos produtores com a qualidade, a inovação e a identidade de Farroupilha.
Segundo ela, o recorde de vinícolas participantes e de amostras inscritas evidencia a força alcançada pelo setor. Também demonstra como a produção local evoluiu ao longo das últimas duas décadas.
A dirigente destaca ainda a importância de ampliar o reconhecimento dos produtos elaborados com a uva Moscato. Para a entidade, esses rótulos representam um patrimônio do município e contribuem para consolidar a relevância da Indicação de Procedência Farroupilha.
Vinte e quatro categorias integram a edição de 2026
A 21ª Seleção de Vinhos de Farroupilha reúne 24 categorias. A relação contempla desde vinhos de mesa até produtos finos, espumantes, frisantes, sucos e destilados.
A variedade de classes acompanha a diversidade da produção municipal. Além disso, permite que diferentes perfis de vinícolas participem do concurso.
Categorias avaliadas
- Vinho tinto de mesa seco
- Vinho tinto de mesa suave
- Vinho branco de mesa seco
- Vinho branco de mesa suave
- Vinho rosé de mesa seco ou suave
- Vinho tinto fino seco, safrado ou não safrado
- Vinho tinto fino seco safrado de guarda
- Vinho branco fino seco, exceto os moscatéis
- Vinho branco fino seco Moscatel tranquilo engarrafado
- Vinho branco fino seco Moscatel tranquilo a granel
- Vinho branco fino Moscatel demi-sec ou suave
- Espumante Moscatel branco
- Espumante Moscatel rosé
- Espumante Moscatel Reserva, destinado a produtos evoluídos
- Espumante brut elaborado pelo método Charmat
- Espumante Moscatel Natur, Extra Brut, Brut ou Demi-sec
- Espumante brut produzido pelo método tradicional
- Espumante demi-sec elaborado por qualquer método
- Vinho frisante Moscatel
- Suco de uva integral natural
- Vinho rosé fino seco
- Vinho licoroso ou mistela de base Moscatel
- Vinho elaborado com mínima intervenção enológica, incluindo orgânicos e biodinâmicos
- Brandy de Moscato
Avaliação será realizada às cegas
As 277 amostras serão avaliadas sem identificação dos produtores. Esse formato busca garantir maior imparcialidade durante a análise sensorial.
Os jurados observarão aspectos como aparência, aromas, equilíbrio, estrutura, qualidade gustativa e persistência. Em seguida, cada produto receberá uma pontuação dentro de uma escala de 100 pontos.
O grupo avaliador terá 44 integrantes. Entre eles estarão enólogos, jornalistas especializados, profissionais convidados e representantes de instituições ligadas ao setor vitivinícola.
A composição diversificada do júri permite reunir diferentes experiências técnicas. Dessa forma, o concurso busca oferecer uma avaliação ampla dos produtos inscritos.
Critérios para a concessão das medalhas
O regulamento determina que até 30% das amostras inscritas em cada categoria poderão receber premiação. No entanto, o produto também deverá alcançar pelo menos 87 pontos.
A pontuação segue parâmetros adotados em concursos internacionais. Assim, as medalhas são distribuídas conforme o desempenho obtido durante a degustação.
Grande Medalha de Ouro
A Grande Medalha de Ouro será concedida aos produtos que alcançarem 94 pontos ou mais.
Medalha de Ouro
A Medalha de Ouro será destinada às amostras que obtiverem notas entre 90 e 93,9 pontos.
Medalha de Prata
A Medalha de Prata será entregue aos produtos avaliados com pontuação entre 87 e 89,9 pontos.
Os vencedores serão anunciados durante o jantar de premiação, previsto para 11 de setembro.
Moscatel Premium reconhecerá o produto mais bem avaliado
Além das medalhas tradicionais, a Afavin concederá novamente a distinção Moscatel Premium.
O reconhecimento será destinado ao vinho ou espumante que receber a maior pontuação entre as categorias elaboradas com uvas da família Moscato.
A premiação busca destacar o produto que melhor representa o perfil da Terra do Moscatel. Também reforça a ligação entre a produção local e a Indicação de Procedência Farroupilha.
Farroupilha concentra grande parte da produção brasileira de Moscato
Farroupilha, na Serra Gaúcha, é reconhecida pela forte presença das variedades moscatéis. A região responde por aproximadamente 50% do volume nacional de produção dessas uvas.
O município também reúne centenas de pequenos viticultores. Muitos deles fornecem matéria-prima para vinícolas instaladas dentro da área delimitada pela Indicação de Procedência.
Entre as variedades cultivadas, a Moscato Branco ocupa posição de destaque. A uva está presente na região desde a década de 1930 e possui características próprias.
Estudos técnicos não localizaram material idêntico em coleções internacionais de germoplasma. Por isso, pesquisadores consideram que a variedade cultivada em Farroupilha pode ter identidade singular.
Indicação de Procedência Farroupilha valoriza vinhos moscatéis
A Indicação de Procedência Farroupilha abrange produtos elaborados a partir de variedades moscatéis autorizadas.
Entre eles estão o espumante Moscatel, o vinho branco fino tranquilo Moscatel, o frisante Moscatel, o vinho licoroso, a mistela e o brandy de Moscatel.
Trata-se da primeira Indicação Geográfica brasileira voltada exclusivamente aos vinhos moscatéis. O reconhecimento confirma a relação histórica entre a região, o cultivo das uvas e os métodos locais de elaboração.
A área delimitada concentra o maior volume de produção de uvas moscatéis do país. Além disso, reúne características ambientais, históricas e produtivas que diferenciam os produtos elaborados no território.
Área da Indicação de Procedência possui 379 quilômetros quadrados
A área geográfica reconhecida pela IP Farroupilha possui cerca de 379 quilômetros quadrados.
Aproximadamente 99% desse território está localizado no município de Farroupilha. Pequenas parcelas também alcançam áreas de Caxias do Sul, Pinto Bandeira e Bento Gonçalves.
Dentro da delimitação existe uma zona de 129 quilômetros quadrados que concentra historicamente a produção de uvas moscatéis.
Pelo regulamento, pelo menos 85% das uvas utilizadas nos produtos certificados devem ter origem nessa área principal.
Quais uvas podem ser utilizadas na IP Farroupilha
O regulamento da Indicação de Procedência estabelece quais variedades podem ser empregadas nos produtos certificados.
As uvas autorizadas são Moscato Branco, Moscato Bianco, Malvasia de Cândia aromática, Moscato Giallo, Moscatel de Alexandria, Malvasia Bianca, Moscato Rosado e Moscato de Hamburgo.
Os vinhedos também precisam respeitar limites de produtividade. Essa medida busca preservar a qualidade da matéria-prima e manter os padrões definidos pelo regulamento.
Os produtos certificados só podem ser elaborados com uvas das variedades permitidas e cultivadas dentro da área delimitada.
Produção e controle devem ocorrer na região de origem
A elaboração, o engarrafamento e o envelhecimento dos vinhos devem ocorrer dentro da área reconhecida.
No caso de espumantes e frisantes, o engarrafamento também pode ser realizado em municípios limítrofes, desde que todas as demais regras sejam respeitadas.
Cada tipo de produto possui critérios específicos de elaboração. Além disso, os vinhos passam por análises laboratoriais e sensoriais.
A comercialização só é autorizada após a aprovação do Conselho Regulador da IP Farroupilha.
Esse órgão verifica se o produto cumpre as exigências previstas no Regulamento de Uso. Somente depois dessa etapa o vinho pode receber a certificação.
Selo numerado garante a rastreabilidade
Cada garrafa aprovada pela Indicação de Procedência Farroupilha recebe um selo de controle numerado.
O código permite identificar o lote e acompanhar a origem do produto. Portanto, o consumidor pode verificar que o vinho passou pelos controles exigidos.
A rastreabilidade também ajuda a proteger a identidade da região. Além disso, reduz o risco de uso indevido do nome da Indicação de Procedência.
História da Indicação de Procedência Farroupilha
A construção da IP Farroupilha começou antes do reconhecimento oficial concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial.
O processo envolveu produtores, instituições de pesquisa, universidades e órgãos públicos. Os estudos abordaram aspectos geográficos, climáticos, históricos, vitícolas e enológicos.
2005: criação da Afavin
A Associação Farroupilhense de Produtores de Vinhos, Espumantes, Sucos e Derivados foi criada em 2005.
No mesmo ano, a entidade manifestou à Embrapa Uva e Vinho o interesse em desenvolver ações voltadas à qualificação e à valorização dos vinhos finos moscatéis de Farroupilha.
A Embrapa e a Universidade de Caxias do Sul iniciaram os primeiros diagnósticos sobre o potencial da região.
2007: primeiros estudos de delimitação
Em 2007, a Embrapa iniciou trabalhos preliminares para definir a área da futura Indicação de Procedência.
O projeto contou com apoio financeiro do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.
2009: acordo de cooperação técnica
Em 2009, a Afavin e a Embrapa firmaram um convênio de cooperação técnica.
Nesse período, a associação apresentou o primeiro vinho frisante Moscatel produzido no município como produto institucional.
O rótulo foi utilizado em estudos e validações ligados ao projeto da Indicação de Procedência.
2009 a 2014: estruturação técnica da IP
Entre 2009 e 2014, diferentes instituições participaram de um projeto de pesquisa, desenvolvimento e inovação.
A iniciativa reuniu a Afavin, a Embrapa Uva e Vinho, a Embrapa Clima Temperado, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul e a Universidade de Caxias do Sul.
Os pesquisadores analisaram o relevo, a geologia, os solos, o clima, os vinhedos, os vinhos e a paisagem.
Também foram realizados estudos físico-químicos e sensoriais. Em seguida, os técnicos definiram a área geográfica e estruturaram o Regulamento de Uso.
O projeto ainda criou o Plano de Controle e organizou o funcionamento do Conselho Regulador no âmbito da Afavin.
2014: estudo sobre a Moscato Branco
Em 2014, a pesquisadora Patrícia Ritschel, da Embrapa Uva e Vinho, participou de estudos com o ampelógrafo Jean-Michel Boursiquot, da SupAgro de Montpellier, na França.
Os pesquisadores compararam a Moscato Branco cultivada em Farroupilha com materiais preservados em coleções francesas.
As análises não encontraram uma variedade correspondente. O resultado reforçou a hipótese de que a uva presente em Farroupilha possui características únicas e é cultivada comercialmente principalmente no Brasil.
2014: pedido de registro no INPI
A Afavin apresentou ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial o pedido de registro da Indicação de Procedência Farroupilha em 2014.
A documentação reuniu os estudos técnicos, a delimitação geográfica, o regulamento e as informações que comprovavam a relação entre a região e os produtos moscatéis.
2015: reconhecimento oficial
Em 2015, o INPI concedeu o registro da Indicação de Procedência Farroupilha.
A certificação foi entregue à Afavin e passou a reconhecer oficialmente a origem dos vinhos finos moscatéis produzidos de acordo com as normas estabelecidas.
2016: primeiros produtos certificados chegam ao mercado
Os primeiros vinhos comerciais com o selo da IP Farroupilha foram lançados em 2016.
Os produtos atenderam às exigências do Regulamento de Uso e passaram pelos controles do Conselho Regulador.
Desde então, a certificação contribui para valorizar a origem, ampliar a rastreabilidade e divulgar a identidade dos vinhos moscatéis produzidos na região.
Concurso fortalece a identidade vitivinícola de Farroupilha
A realização da 21ª Seleção de Vinhos de Farroupilha ocorre em um momento de expansão e diversificação da produção local.
O recorde de 277 amostras mostra que as vinícolas estão ampliando seus portfólios. Também indica maior interesse em processos de avaliação e reconhecimento técnico.
Ao reunir diferentes categorias, o concurso apresenta um retrato da vitivinicultura do município. Da mesma forma, evidencia a importância econômica e cultural da uva Moscato para Farroupilha.
Os resultados serão conhecidos em 11 de setembro. Até lá, as amostras passarão pela avaliação dos jurados e pela conferência dos critérios previstos no regulamento.
Dúvidas frequentes sobre a Seleção de Vinhos de Farroupilha
Quando será realizada a avaliação dos vinhos?
As degustações da 21ª Seleção de Vinhos de Farroupilha ocorrerão nos dias 4 e 5 de agosto de 2026.
Quantas amostras foram inscritas?
O concurso recebeu 277 amostras, o maior número já registrado na história da seleção.
Quantas vinícolas participam da edição?
A edição de 2026 reúne produtos de 14 vinícolas de Farroupilha.
Quando os vencedores serão anunciados?
Os resultados serão apresentados no dia 11 de setembro de 2026, durante a cerimônia de premiação.
Como funciona a avaliação?
Os produtos são degustados às cegas por 44 jurados. Eles analisam os vinhos sem conhecer a identidade das marcas ou das vinícolas.
Qual é a pontuação mínima para receber medalha?
A amostra precisa alcançar pelo menos 87 pontos em uma escala de 100.
O que é a distinção Moscatel Premium?
É um reconhecimento concedido ao vinho ou espumante de Moscato que obtiver a maior pontuação entre as categorias participantes.
O que é a Indicação de Procedência Farroupilha?
É uma certificação de origem destinada a produtos moscatéis elaborados conforme regras específicas dentro da área geográfica reconhecida.
Quais produtos podem receber o selo da IP Farroupilha?
Podem ser certificados vinhos tranquilos, espumantes, frisantes, licorosos, mistelas e brandies elaborados com variedades moscatéis autorizadas.
