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Alentejo: o novo orgulho do vinho português

Alentejo é a região vinícola que mais cresceu em Portugal nas últimas décadas. Com vinhas no planalto quente, ela produz tintos encorpados e frutados que conquistaram o mundo. Conheça esse território fascinante.

Alentejo é a maior região geográfica de Portugal: uma vasta planície ao sul de Lisboa, quente, seca e de horizonte interminável, pontuada por azinheiras, oliveiras e, cada vez mais, vinhedos de alta qualidade. Nas últimas duas décadas, o Alentejo transformou-se na região vinícola mais dinâmica de Portugal, produzindo tintos encorpados e frutados que agradaram um público global sedento por vinhos mais acessíveis e de caráter bem definido.

O clima e o terroir

O clima do Alentejo é continental semiárido: verões muito quentes (temperaturas acima de 40 graus não são raras), invernos suaves e pouquíssima chuva. Esse clima extremo exige manejo cuidadoso da vinha: irrigação controlada, gestão foliar para proteger as uvas do calor excessivo e vindimas precoces em alguns casos para preservar a acidez. Os solos variam: granito no noroeste (Portalegre), xisto (como no Douro) e solos de argila vermelha (barros vermelhos) no centro e sul do Alentejo.

As uvas do Alentejo

O Alentejo usa principalmente uvas indígenas portuguesas: Aragonez (o mesmo Tempranillo de outras regiões, aqui mais rico e encorpado pelo calor), Alicante Bouschet (a uva tinta de polpa vermelha que dá cor intensa aos blends), Trincadeira (fruta exuberante, taninos suaves), Touriga Nacional (concentração e aromas florais) e Syrah (cada vez mais popular pela adaptação ao calor). Nos brancos, Antão Vaz (a mais nobre, com notas de pêssego e mineral), Arinto e Roupeiro.

Os grandes produtores

Herdade do Esporão (um dos mais exportados de Portugal, com excelente custo-benefício), Herdade do Mouchão (um dos mais históricos), João Portugal Ramos (o enólogo que mais fez pela modernização do Alentejo), Ermelinda Freitas, Luís Duarte, Quinta do Carmo (propriedade da família Rothschild dos Domaines Barons de Rothschild), Monsaraz e Carmim são alguns dos produtores de referência. O Alentejo também tem cooperativas de excelente nível, como Adega de Borba e Adega de Reguengos.

Portalegre: o Alentejo fresco

A subregião de Portalegre, na Serra de São Mamede ao norte do Alentejo, tem altitude de 300 a 800 metros e um clima muito mais fresco do que o restante da região. Aqui, o Arinto produz brancos de alta acidez e o Aragonez produz tintos mais elegantes e de acidez mais presente. Produtores como Herdade de São Miguel, Quinta do Mouro e João Portugal Ramos têm vinhos de Portalegre que mostram essa face mais fina do Alentejo.

Harmonização

Alentejo tinto: borrego (cordeiro) assado com batata e ervilhas ao estilo alentejano, carne de porco à alentejana (com amêijoas), cabrito assado, morcela, migas alentejanas. O Alentejo é inseparável da gastronomia do Sul de Portugal: o azeite, o pão de trigo, o coentro, o alho e as carnes lentas ao forno definem o repertório. Para os brancos de Antão Vaz: bacalhau com migas de coentro, peixe espada, sopa de cação (caldo de peixe alentejano). O Alentejo na taça é o Alentejo no prato: sol, generosidade e caráter ibérico.

O Alentejo é a face moderna e acessível do Portugal vinícola. Sem o peso histórico do Douro ou a formalidade de Lisboa, ele produz vinhos diretos, frutados, bem feitos e de preço justo que agradaram o mundo. É o vinho português mais democrático e mais do futuro.

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