Wine News Brasil

Barossa Valley: a Austrália que faz o Shiraz do mundo

Barossa Valley é o território do Shiraz australiano, com vinhas centenárias e vinhos de concentração extraordinária. Conheça por que a Austrália virou referência mundial em vinho com esse vale icônico.

Barossa Valley é o território mais famoso do vinho australiano e, pode-se dizer, o lugar onde a Austrália descobriu sua própria identidade vinícola. Com suas vinhas centenárias de Shiraz, seus produtores de história familiar e o estilo generoso e encorpado de seus vinhos, o Barossa criou uma categoria de vinho que não se confunde com nada mais no mundo.

Localização e história

Barossa fica no estado da Austrália do Sul, ao norte de Adelaide, numa região de planície interior de clima quente e seco. Os primeiros vinicultores foram imigrantes silesianos (da região da Silésia, hoje Polônia/Alemanha) que chegaram em 1842 fugindo de perseguições religiosas. Eles trouxeram uvas europeias e construíram uma cultura vinícola familiar que ainda persiste hoje em muitas bodegas. É graças à sua localização remota e ao clima semiárido que o Barossa nunca foi afetado pela filoxera, tendo algumas das videiras não enxertadas mais velhas do mundo.

As vinhas velhas: um tesouro vitivinícola

A grande particularidade do Barossa é ter vinhas de Shiraz, Grenache e Mourvèdre com 100, 150 e até 170 anos de idade que nunca foram arrancadas (por não ter filoxera, não havia necessidade de replantio). Essas vinhas velhas, que produzem quantidades mínimas de uva mas de concentração extraordinária, são o ativo mais valioso do Barossa e a base dos vinhos mais impressionantes da Austrália. O Barossa Old Vine Charter classifica as vinhas por idade: Survivor Vine (mais de 70 anos), Centenarian Vine (mais de 100 anos), Ancestor Vine (mais de 125 anos) e Relic Vine (as mais antigas, acima de 150 anos).

Penfolds Grange: o vinho mais famoso da Austrália

O Penfolds Grange, criado pelo enólogo Max Schubert em 1951, é o vinho australiano mais famoso e mais avaliado internacionalmente. Feito principalmente de Shiraz do Barossa (com pequenas adições de outras regiões), envelhecido em barricas americanas novas, o Grange é um vinho de concentração monumental, com potencial de envelhecimento de 30 a 50 anos. Robert Parker o avaliou com 100 pontos em múltiplas safras, tornando-o o primeiro vinho do Novo Mundo a receber a pontuação máxima de forma recorrente.

Outros produtores de referência

Além de Penfolds, o Barossa tem um conjunto rico de produtores: Henschke (com o Hill of Grace, o Shiraz de vinha velha mais exclusivo da Austrália), Torbreck (especialista em vinhas velhas), Yalumba (o mais antigo produtor familiar da Austrália, com sua linha de Patchwork e The Signature), Two Hands, d'Arenberg, Wolf Blass, Grant Burge e Peter Lehmann são referências do vale.

Eden Valley: o Barossa fresco

Dentro da zona do Barossa, Eden Valley é uma subregião mais alta (500-600m) e mais fria, onde o Shiraz produz um estilo mais elegante e pimentado, e onde o Riesling australiano atinge sua maior expressão. Os Rieslings de Eden Valley, de produtores como Yalumba, Henschke e Leo Buring, têm sido apontados como alguns dos melhores do Novo Mundo.

Harmonização

Shiraz do Barossa: carnes grelhadas na brasa, bife de chorizo, ribs defumadas de estilo americano, hambúrguer gourmet, queijo azul australiano (como o Gippsland Blue), pratos de canguru (carnes exóticas australianas). A potência alcoólica (14,5 a 15,5%) e os taninos do Barossa Shiraz exigem proteína e gordura em abundância. Para as vinhas mais velhas, a opção mais elegante é um bife de alta qualidade com trufa, ou um cordeiro assado lentamente.

Barossa é o poder do Novo Mundo encarnado. Sem a sutileza de Borgonha ou a austeridade de Bordeaux, mas com uma generosidade e uma concentração que fazem dele um dos vinhos mais impactantes do mundo. As vinhas velhas do Barossa são um patrimônio vinícola que o mundo não pode perder.

Compartilhar reportagem

X / Twitter Facebook