A Campanha Gaúcha é a região mais promissora do vinho brasileiro para vinhos finos. Localizada no extremo sul do Rio Grande do Sul, fazendo fronteira com o Uruguai e a Argentina, ela tem um terroir completamente diferente da Serra Gaúcha: mais quente, mais seco e com solos mais profundos que permitem produção de uvas tintas de alta concentração e qualidade. Nos últimos anos, a Campanha tem chamado a atenção dos mercados internacionais com um conjunto de vinhos que mostram todo o potencial da região.
Localização e clima
A Campanha Gaúcha se estende pelos municípios de Santana do Livramento, Bagé, Dom Pedrito, Quaraí, Alegrete e Uruguaiana, numa altitude de 100 a 400 metros. O clima é continental semiárido: invernos frios e secos (que permitem descanso vegetativo da videira), primaveras precoces e verões quentes e secos. As precipitações durante a colheita (fevereiro a abril) são menores do que na Serra Gaúcha, o que favorece muito a qualidade das uvas. Esse clima se assemelha muito ao do Uruguai, que é o país produtor mais próximo.
Os solos da Campanha
A diversidade de solos da Campanha é um dos seus maiores ativos. Em Dom Pedrito, há solos vermelhos de origem basáltica. Em Santana do Livramento, solos mais arenosos e de granito. Cada tipo de solo dá ao vinho uma expressão diferente: os solos basálticos favorecem concentração e corpo, enquanto os arenosos favorecem elegância e aroma. Essa diversidade permite produzir estilos diferentes de vinho dentro de uma mesma região geográfica.
Os produtores que definiram a Campanha
A Campanha Gaúcha tem um conjunto de produtores que estão elevando o nível do vinho brasileiro: Lídio Carraro (Baglio, Quorum, Dádivas), Guatambu Estância do Vinho, Almadén, Don Giovanni, Mena Kaho, Dunamis e Campo Largo são referências da região. Alguns produtores de fora da região, como Pizzato e Miolo (com linhas específicas para a Campanha), também apostam nos vinhedos do Sul do estado.
As uvas da Campanha
As uvas que melhor se expressam na Campanha são: Merlot (a mais plantada, com resultados muito consistentes de concentração e fruta), Cabernet Sauvignon (mais tanino e estrutura do que na Serra), Tannat (em crescimento, com resultados notáveis), Syrah (com notas de pimenta e boa estrutura), Carménère (emergente com resultados promissores) e Cabernet Franc. Entre os brancos, Gewürztraminer e Sauvignon Blanc têm se mostrado muito interessantes na Campanha com o clima mais seco favorecendo a aromaticidade.
Reconhecimento internacional
Os vinhos da Campanha Gaúcha têm ganhado medalhas em competições internacionais como Decanter World Wine Awards, Mundus Vini e Vinandino, colocando o Brasil no mapa dos vinhos finos sul-americanos. O Decanter, a mais influente publicação de vinhos do Reino Unido, já publicou reportagens elogiando o potencial da Campanha como o "Mendoza brasileiro".
A Campanha Gaúcha ainda está em desenvolvimento, com muitas de suas vinhas ainda jovens e em processo de descoberta do terroir mais adequado para cada uva. Mas já é claro que ela é o futuro do vinho fino brasileiro: com terroir de nível internacional e produtores cada vez mais comprometidos com qualidade, ela tem tudo para colocar o Brasil definitivamente no mapa do vinho mundial.