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Champagne: a região onde as borbulhas se tornaram arte

Champagne é a região onde as borbulhas se tornaram arte. Com seu método específico de segunda fermentação na garrafa, ela produziu o vinho mais festivo e mais sofisticado do mundo. Conheça seus segredos.

Champagne é possivelmente o nome de vinho mais reconhecido do mundo. Mais do que uma categoria de vinho, ele é um símbolo de celebração, de conquista e de vida boa que transcende a bebida e entra na cultura pop global. Mas para além da festa, o Champagne esconde um mundo de complexidade, terroir e artesanato que poucos consumidores chegam a explorar. Conhecer o Champagne a fundo é uma das mais ricas jornadas do mundo do vinho.

A região e seu clima extremo

Champagne fica ao nordeste da França, ao norte de Paris, numa latitude extrema para a vitivinicultura europeia: cerca de 49 graus norte. Esse clima marginal, com muito frescor e colheitas imprevisíveis, é paradoxalmente o que torna a região única. A dificuldade de amadurecimento das uvas cria acidez muito alta e graduação alcoólica baixa, ingredientes perfeitos para o espumante: o vinho precisa dessa acidez para suportar o processo de segunda fermentação na garrafa (méthode champenoise) e o envelhecimento prolongado que desenvolve a complexidade.

As uvas do Champagne

Três uvas são permitidas no Champagne: Chardonnay (branca, para os Blanc de Blancs de maior elegância e mineralidade), Pinot Noir (tinta, para estrutura e corpo) e Pinot Meunier (tinta, para fruta redonda e acessibilidade). A maioria dos Champagnes são blends dessas três uvas. Blanc de Blancs é feito apenas de Chardonnay. Blanc de Noirs é feito de uvas tintas (Pinot Noir e/ou Pinot Meunier) vinificadas sem contato com a casca, resultando num espumante branco de sabor mais encorpado.

As grandes Maisons e os Récoltants-Manipulants

O Champagne é dividido entre as grandes Maisons (casas de negócio, como Moët & Chandon, Veuve Clicquot, Laurent-Perrier, Taittinger, Bollinger, Louis Roederer e Dom Pérignon) que compram uvas de centenas de produtores para criar blends de volume e consistência, e os Récoltants-Manipulants (RM): pequenos produtores que cultivam suas próprias vinhas e vinificam seu próprio Champagne em volumes pequenos. Os RMs, como Jacques Selosse, Selosse-Exbrayat, Cédric Bouchard, Éric Rodez e muitos outros, estão criando os Champagnes mais interessantes e complexos dos últimos anos.

Os estilos de dosagem

O nível de doçura do Champagne é controlado pela "dosagem", o licor de expedição adicionado após o dégorgement. Brut Nature ou Zero Dosage (sem adição de açúcar), Extra Brut, Brut (o mais comum), Extra Sec, Sec, Demi-Sec e Doux são os níveis, do mais seco ao mais doce. Brut é o estilo padrão da maioria dos Champagnes do mercado. Brut Nature está em moda entre os apreciadores mais sofisticados, que preferem a acidez pura sem a suavização da dosagem.

Regiões e crus

Dentro da Champagne, as regiões mais prestigiosas são: Côte des Blancs (para Chardonnay, com Grand Crus como Cramant, Le Mesnil-sur-Oger e Avize), Montagne de Reims (para Pinot Noir, com Grand Crus como Bouzy, Ambonnay e Verzenay), Vallée de la Marne (para Pinot Meunier, mais frutado). O sistema de classificação dos villages (Échelle des Crus) vai de Village até Grand Cru (os 17 villages mais prestigiosos).

Harmonização

Champagne Brut: aperitivo com tudo, ostras, camarão, salmão defumado, tempura, frango frito, batata chips (uma combinação clássica), queijo brie. Champagne Blanc de Blancs: ostras vivas, carpaccio de linguado, caviar, vieiras. Champagne Rosé: salmão grelhado, tartar de atum, frango rosado, morango com creme. Champagne Vintage encorpado (Bollinger, Krug): lagosta, vitela, cogumelos selvagens, trufa. Champagne Demi-Sec: sobremesas de fruta, bolo de baunilha, macaron.

Champagne é o vinho da ocasião e do momento. Mas quando explorado a fundo, ele é também um dos mais complexos e expressivos vinhos do mundo, um reflexo de um terroir extremo onde o frio, o calcário e o tempo criam algo que nenhuma outra região do mundo consegue replicar.

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