O Chile é um país de contrastes extremos na viticultura: do deserto do Atacama ao Norte até a Patagônia gelada ao Sul, passando pelas influências do Pacífico a Oeste e dos Andes a Leste, cada região produz vinhos com identidade própria. Entre todos esses territórios, o Vale de Colchagua e o Vale do Maipo são os dois nomes que mais se destacam quando se fala em vinhos tintos de alta expressão no Chile.
Maipo: o Cabernet da capital
O Maipo fica na zona metropolitana de Santiago e é o vale histórico do vinho chileno. Aqui estão as maiores e mais tradicionais vinícolas do Chile: Concha y Toro (a maior produtora do país, com o famoso Almaviva e Don Melchor), Santa Rita (com Casa Real e Medalla Real), Haras de Pirque, Cono Sur e Viu Manent entre outros. O solo do Maipo, predominantemente arenoso e pedregoso nas áreas mais próximas aos Andes, é ideal para Cabernet Sauvignon: o vinho do Maipo tem tipicamente notas de cedro, menta (uma característica dos Cabernets chilenos), cassis e terra. Alto Maipo (parte da subregião mais próxima dos Andes, acima de 600m) é especialmente valorizado para Cabernets de alta qualidade.
Colchagua: poder, fruta e Carménère
O Vale de Colchagua fica mais ao sul, a 180km de Santiago, e tem solos de argila vermelha que conferem ao vinho mais concentração, mais corpo e taninos mais generosos. É o lar dos vinhos chilenos mais encorpados e dos melhores exemplares de Carménère do país. Casa Lapostolle (com o Clos Apalta, regularmente apontado como o melhor vinho do Chile), Montes (com o Alpha M e o Purple Angel), Luis Felipe Edwards, Los Vascos e Santa Cruz são produtores de referência. A região de Apalta, com solos calcários e graníticos em microclima específico, é considerada a melhor parcela de Colchagua.
O terroir chileno
O Chile tem uma vantagem única no mundo vinícola: nunca foi afetado pela filoxera, o piolho da raiz da videira que devastou os vinhedos europeus no século XIX. Isso significa que as videiras chilenas crescem em seus próprios pés, sem o enxerto sobre porta-enxerto americano que é obrigatório em todo o resto do mundo. Esse detalhe influencia a expressão do terroir de forma que os cientistas ainda estudam, mas que muitos produtores acreditam conferir ao vinho chileno uma autenticidade especial.
Outras regiões do Chile em ascensão
Além de Maipo e Colchagua, outras regiões chilenas ganham destaque: Casablanca Valley e San Antonio Valley (para Sauvignon Blanc, Pinot Noir e Chardonnay com influência marítima), Elqui e Limarí (para Syrah de estilo mais francês, mineral e elegante), Itata e Bío-Bío (ao sul, com país e Moscatel de vinhas velhas que produzem vinhos de estilo único), e a Patagônia chilena, nova fronteira para vinhos de altitude.
Harmonização
Os tintos de Maipo e Colchagua são feitos para carnes: bife ancho grelhado, asado chileno de costillar, cazuela de vacuno, empanada de carne ao forno. O Cabernet do Maipo com sua nota de cedro e menta casa especialmente bem com carnes com chimichurri de ervas. O Carménère do Colchagua, com suas notas de pimentão defumado, é um parceiro muito interessante para preparações com pimentões vermelhos assados, carne com tempero andino e pratos de estufado espessado.
O Chile é o país que combina terroir privilegiado com produção de alto volume e qualidade média crescente. É em Maipo e Colchagua que esse equilíbrio entre qualidade e quantidade encontra sua expressão mais completa.