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Douro: o Vale das vinhas em socalcos que deu o Porto ao mundo

O Douro é o vale das vinhas em socalcos que deu o Vinho do Porto ao mundo. Mas hoje ele também produz tintos secos de nível internacional. Conheça essa região extraordinária de Portugal.

O Douro é uma das paisagens vinícolas mais dramáticas do mundo. O Rio Douro, que nasce na Espanha (onde é chamado Duero) e corta Portugal de leste a oeste antes de desaguar no Atlântico no Porto, cavou ao longo de milênios um vale profundo de encostas íngremes revestidas de vinhas em socalcos (terraços de pedra xisto). É nesse cenário de beleza extrema que nasce tanto o Vinho do Porto, o mais famoso produto de Portugal, quanto um conjunto crescente de tintos secos que estão entre os melhores do mundo.

O Vinho do Porto: a história

O Vinho do Porto nasceu por acidente ou necessidade: no século XVII, os comerciantes ingleses precisavam fortificar os vinhos do Douro com aguardente para suportar a longa viagem por mar até a Inglaterra. Esse processo de fortificação interrompia a fermentação antes de sua conclusão, deixando açúcar residual e aumentando o álcool, criando o estilo típico do Porto: doçura, volume alcoólico (19-22%) e aromas complexos de fruta seca e especiaria.

Estilos do Porto

Porto Ruby: jovem, frutado, com notas de cereja e ameixa, envelhecido em grandes recipientes de madeira ou aço por período curto. Porto Tawny: envelhecido em pipas pequenas de carvalho por 10, 20, 30 ou 40 anos, com oxidação progressiva que dá a cor caramelo (tawny) e aromas de fruta seca, nozes, mel e especiaria. Porto Vintage: declarado apenas em anos excepcionais, feito das melhores uvas, envelhecido em garrafa por décadas. Porto LBV (Late Bottled Vintage): de uma só safra, envelhecido 4-6 anos em madeira, mais acessível que o Vintage. Porto Colheita: Tawny de uma só safra, de ano declarado.

As uvas do Douro

O Douro tem mais de 80 variedades de uvas autorizadas (todas indígenas portuguesas), sendo as mais importantes: Touriga Nacional (a mais nobre, produz a estrutura e o perfume do Porto e dos melhores tintos secos), Touriga Franca (a mais plantada, fruta generosa e aromas florais), Tinta Roriz (Tempranillo espanhol, corpo e especiaria), Tinta Barroca (para Porto mais suave), Tinta Cão (para acidez e longevidade). Nos brancos: Gouveio, Viosinho, Rabigato e Códega.

Douro tinto seco: o rival do Porto

Desde os anos 1990, o Douro se afirmou também como região de produção de tintos secos de altíssima qualidade. Barca Velha da Real Companhia Velha (o primeiro e mais lendário tinto seco do Douro, produzido desde 1952), Chryseia da Prats & Symington, Quinta do Crasto, Quinta do Vale Meão, Quinta dos Murças, Prats & Symington e Niepoort são produtores que mostraram que o Douro pode fazer tintos secos que competem com os melhores do mundo.

Harmonização

Porto Ruby: queijo azul (Roquefort, Gorgonzola), torta de amêndoa, chocolate amargo. Porto Tawny: crème brûlée, tarte tatin, queijos curados, sobremesas de castanha e mel. Porto Vintage: queijo Stilton inglês (a combinação mais clássica), carne de caça. Douro tinto seco: borrego (cordeiro), javali, bacalhau com batata e ovos, costeleta de vitela. O Douro, em suas duas expressões, é um vinho de mesa extraordinariamente versátil.

O Douro é o Portugal vinícola mais autêntico: xisto, vindimas à mão nas encostas verticais, uvas que não existem em mais nenhum país, e um vinho fortificado que há séculos alegra as mesas do mundo. É um dos maiores presentes que Portugal deu à civilização.

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