Enquanto o Syrah e o Grenache tinto conquistaram fama mundial, os brancos do Vale do Ródano permanecem na sombra do reconhecimento público. Grenache Blanc, Roussanne, Viognier e Marsanne são as quatro grandes uvas brancas da região, cada uma com personalidade própria e capacidade de produzir brancos de alta complexidade. Conhecê-las é descobrir um universo de brancos que a maioria dos amantes de vinho ainda não explorou.
Roussanne: elegância e longevidade
A Roussanne é considerada por muitos a uva branca mais nobre do Ródano Norte. Cultivada principalmente em Crozes-Hermitage e Hermitage, ela produz brancos de aromas complexos de ervas (sálvia, tomilho), flores brancas, pera e mel, com textura oleaginosa e potencial de envelhecimento surpreendente. Os Hermitage Blanc de produtores como Chapoutier, Chave e Jaboulet, feitos inteiramente ou majoritariamente de Marsanne (mais plantada do que Roussanne no Norte do Ródano), envelhecem por 15 a 20 anos. No Sul do Ródano, a Roussanne aparece em blends com Grenache Blanc e Viognier em Châteauneuf-du-Pape Blanc.
Grenache Blanc: a base dos brancos do Sul
O Grenache Blanc é a uva branca mais plantada do Sul da França e a espinha dorsal do Châteauneuf-du-Pape Blanc. Com baixa acidez, alto álcool e aromas de pêssego, figo, mel e ervas de Provence, ele cria brancos ricos e de textura generosa que são perfeitos para a gastronomia do sul da França. No Languedoc e no Roussillon, o Grenache Blanc aparece em blends com Marsanne, Roussanne e Clairette produzindo vinhos brancos acessíveis e bem feitos.
Châteauneuf-du-Pape Blanc
O Châteauneuf-du-Pape Blanc, embora represente apenas 7% da produção total da denominação, é considerado um dos grandes brancos do mundo. Feito principalmente de Grenache Blanc, Clairette, Roussanne e Bourboulenc, os melhores Châteauneuf Blanc (de produtores como Château Rayas Blanc, Château de Beaucastel Blanc e Clos de l'Oratoire des Papes) envelhecem por 10 a 20 anos e revelam complexidade de fruta exótica, mel, nozes e mineral que é muito específica da região.
Marsanne: a outra grande branca do Norte
A Marsanne, mais plantada do que a Roussanne no Norte do Ródano, é a uva principal do Hermitage Blanc e do Crozes-Hermitage Blanc. Em sua juventude, a Marsanne pode parecer simples e pouco aromática, mas com 10 a 20 anos de garrafa revela uma complexidade de fruta tropical, mel e cera que não tem paralelo. O Hermitage Blanc de Chave e de Chapoutier com 15 a 20 anos de garrafa é uma das mais impressionantes e inesperadas revelações do mundo dos brancos.
Clairette e Bourboulenc
Clairette e Bourboulenc são uvas brancas tradicionais do Sul da França, usadas principalmente em blends no Châteauneuf e em Provence. A Clairette tem alta acidez e aromas de amêndoa e flores, sendo importante para dar frescor aos blends de regiões quentes. A Bourboulenc tem aromas mais neutros mas boa acidez. Ambas sobrevivem principalmente em blends, raramente vinificadas sozinhas.
Harmonização
Brancos do Ródano Norte (Marsanne/Roussanne): peixe ao molho de manteiga de ervas, lagostins, frango ao molho cremoso de cogumelos. Châteauneuf-du-Pape Blanc: bourride (caldo de peixe do Mediterrâneo), lagosta ao thermidor, risoto de frutos do mar, foie gras. Os brancos do Ródano, com sua textura generosa e sua fruta madura, precisam de pratos com o mesmo peso: gordura, creme e proteína nobre. Evite pratos leves de salada: a potência dos brancos do Ródano vai dominar ingredientes delicados.
Os brancos do Ródano são o segredo mais bem guardado do mundo dos vinhos brancos. Para quem está cansado de Chardonnay e quer um branco de complexidade nova, o Ródano é o próximo destino obrigatório.