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Moscato Giallo e as variedades muscat de sobremesa

Moscato Giallo e Moscatel de sobremesa são alguns dos vinhos mais prazerosos e menos explorados do mundo. Conheça os estilos de uva Muscat em versões doces que elevam qualquer sobremesa.

Moscato Giallo, Moscatel de Grãos Pequenos, Muscat Blanc à Petits Grains: esses nomes todos se referem à mesma família de uvas, a mais aromática do mundo. Em suas versões de sobremesa, passito ou licorosa, essas uvas produzem vinhos de uma riqueza aromática e de sabor que tornam qualquer sobremesa uma experiência gastronômica de alto nível. É um mundo frequentemente ignorado pelo mercado, que conhece mais o Moscato d'Asti e o Moscatel espumante do que os vinhos doces desta família.

Moscato Giallo: a joia do Alto Adige

Moscato Giallo (em italiano) ou Goldmuskateller (em alemão) é a variedade de Muscat cultivada no Alto Adige, a região de língua alemã ao norte da Itália. Em sua versão seca, produz um Südtirol Moscato Giallo de aromas florais e de fruta de caroço intensos, com acidez mais alta do que o Moscato d'Asti. Em sua versão "Vendemmia Tardiva" (colheita tardia) ou "Passito" (uvas passificadas ao sol), produz um vinho de sobremesa de extraordinária riqueza: mel, damasco em compota, cravo, baunilha e flores de laranjeira numa textura oleaginosa que adere à taça. O Passito di Moscato Giallo de produtores como Franz Haas, Elena Walch e San Michele-Appiano são referências da categoria.

Muscat de Beaumes-de-Venise

No Vale do Ródano Sul, em Beaumes-de-Venise, o Muscat Blanc à Petits Grains é vinificado como vin doux naturel (VDN, com adição de aguardente para interromper a fermentação), criando um vinho de sobremesa de baixo álcool, alta doçura e aromas de flor de laranjeira, damasco fresco e mel. É um dos vinhos de sobremesa mais populares e acessíveis da França, perfeito para acompanhar tartes de fruta, sobremesas de amêndoa e queijos frescos de cabra com mel.

Moscatel de Setúbal: a grandeza portuguesa

O Moscatel de Setúbal merece menção específica como vinho de sobremesa: as versões de 20 a 25 anos são de uma complexidade de fruta seca, laranja cristalizada, café torrado e especiaria que ultrapassam qualquer Muscat europeu mais jovem. É o mais sofisticado e o mais desconhecido dos grandes vinhos doces do mundo.

Vin Santo: o "Vinho Santo" da Toscana

Vin Santo toscano é um vinho de sobremesa feito principalmente de Malvasia Bianca e Trebbiano (ocasionalmente com Sangiovese para o Vin Santo Occhio di Pernice), mas muitas vezes com contribuição de uvas Muscat. As uvas são passificadas em esteiras ou penduradas por meses após a colheita, concentrando açúcares e aromas. O mosto resultante é fermentado e envelhecido por anos em pequenas caratelli (barriquinhas de madeira). O resultado é um vinho âmbar, com aromas de laranja seca, figo, mel, baunilha e nozes. O Vin Santo tradicional da Toscana acompanha cantuccini (biscoitos de amêndoa) numa das mais clássicas terminações de refeição italiana.

Passito di Pantelleria

Na pequena ilha vulcânica de Pantelleria, entre a Sicília e a Tunísia, o Muscat d'Alexandrie (chamado localmente Zibibbo) é cultivado em solos vulcânicos e passificado ao sol siciliano para produzir o Passito di Pantelleria DOC, um dos mais extraordinários vinhos de sobremesa do mundo. Com aromas de damasco em geleia, marmelo, mel de alfarroba e baunilha, e textura oleaginosa e doçura intensa, é o vinho mais reconfortante do universo. O melhor produtor é Marco De Bartoli com seu Bukkuram.

Harmonização

Moscato Giallo passito: torta di fichi e mandorle (tarte de figo e amêndoa), panna cotta com compota de damasco, gelato di fiordilatte, biscoitos de especiaria. Beaumes-de-Venise: tarte tatin, madeleines, financiers, crepes de Suzette. Moscatel de Setúbal velho: pudim de ovos, torta de amêndoa portuguesa, queijo de ovelha curado com mel. Passito di Pantelleria: sobremesas de pistache, cassata siciliana, cannoli de ricota, frutas secas mistas. Vin Santo: cantuccini (molhados no vinho, a tradição toscana), crostata di marmellata, panforte de Siena.

Os Muscats de sobremesa são os vinhos mais generosos da viticultura: eles dão sem pedir nada em troca, envolvem o bebedor em aroma e doçura e fazem de qualquer sobremesa uma festa. Conhecê-los é ampliar o universo do prazer à mesa.

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