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Nebbiolo: o Barolo e Barbaresco e a nobreza do Piemonte

Nebbiolo é a uva nobre do Piemonte italiano, responsável por Barolo e Barbaresco, dois dos maiores vinhos do mundo. Conheça o caráter desafiador e a grandiosidade desta uva única.

Nebbiolo é a uva mais nobre e mais exigente da Itália. Produtora de Barolo e Barbaresco, os dois maiores tintos do país, ela cria vinhos de estrutura e longevidade extraordinárias, com um perfil aromático e organoléptico inconfundível que a distingue de qualquer outra uva do mundo. Mas o Nebbiolo exige paciência: em sua juventude, é austero, tânico e fechado. Com o tempo, revela uma grandeza que justifica a espera.

Origem e natureza da uva

Nebbiolo tem origem comprovada no Piemonte, região ao noroeste da Itália, com registros históricos que datam do século XIII. Seu nome vem de "nebbia" (névoa em italiano), possivelmente pela colheita tardia, quando as colinas de Langhe já estão cobertas pela névoa de outubro, ou pelo caráter "nebuloso" dos cachos maduros cobertos pela pruína azulada. É uma uva de maturação muito tardia, que amadurece em outubro depois de quase todas as outras uvas, exigindo posições de encosta específicas voltadas para o sul para conseguir maturação plena no frio do Piemonte.

Barolo: o Rei dos Vinhos Italianos

Barolo DOCG, produzido nas colinas de Langhe em torno do vilarejo de Barolo, é chamado "Rei dos Vinhos" e "Vinho dos Reis" por razões históricas (era o vinho da Casa Savoia, a família real italiana) e de qualidade. O Barolo é produzido inteiramente de Nebbiolo e exige um mínimo de 3 anos de envelhecimento (5 anos para Riserva). Os grandes MGAs (Menzioni Geografiche Aggiuntive, os "crus" do Barolo) como Cannubi, Brunate, La Morra, Castiglione Falletto e Serralunga d'Alba produzem vinhos que envelhecem por 30 a 50 anos e que revelam uma complexidade aromática de alcatrão, rosas, lichia, trufas, couro e especiaria que não tem paralelo.

Barbaresco: elegância sobre poder

Barbaresco DOCG, produzido na pequena área ao redor do vilarejo de Barbaresco, é o contraponto mais elegante ao Barolo. Com menor período de envelhecimento obrigatório (2 anos, sendo 1 em barril) e uma expressão mais perfumada e menos tânica, o Barbaresco é muitas vezes comparado ao Pinot Noir de Borgonha por sua elegância. O produtor histórico Gaja é o nome mais famoso de Barbaresco, com seus crus de Sorì Tildìn, Sorì San Lorenzo e Costa Russi sendo referências mundiais.

Dois estilos: tradicionalista e modernista

Durante anos, o Barolo foi dividido entre duas escolas: a tradicionalista, que defende longos períodos de maceração e envelhecimento em grandes botti de carvalho esloveno (que dão menos sabor de madeira mas muito mais oxidação suave), e a modernista, que usa barrica pequena francesa (barricas de 225 litros) e períodos mais curtos de maceração para vinhos mais acessíveis na juventude. Hoje essa divisão é menos rígida, e os melhores produtores combinam técnicas de ambas as escolas.

Outros Nebbiolos do Piemonte

Além de Barolo e Barbaresco, o Nebbiolo é cultivado em outras denominações piemontesas: Roero (ao norte de Barolo, produzindo tintos mais leves e acessíveis), Nebbiolo d'Alba, Langhe Nebbiolo (versões mais jovens e frutadas que oferecem uma porta de entrada ao estilo da uva com preço mais acessível), Ghemme e Gattinara no norte do Piemonte (onde a uva é chamada Spanna e produz vinhos de terroir granítico muito interessante).

Harmonização

Barolo e Barbaresco pedem pratos de igual grandeza: tajarin (massa fina piemontesa) com ragù de vitela, risoto de Barolo com ragù, cinghiale (javali) com pappardelle, trufa branca com ovos, pato assado, faisão com porcini. Para um Barolo mais jovem e ainda tânico, a bistecca piemontesa (vitela grelhada de Fassona) com porcini é a combinação regional por excelência. O Nebbiolo nunca vai bem com peixes ou pratos muito leves: ele precisa de proteína e gordura para domar os taninos.

O Nebbiolo é para quem não tem pressa. É uma uva que exige tempo do terroir, do vinicultor e do bebedor. Mas para quem espera, a recompensa é um dos vinhos mais fascinantes e complexos que a viticultura humana já produziu.

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