Piemonte, no noroeste da Itália, é para muitos enólogos e apaixonados de vinho a região mais completa e mais fascinante da viticultura italiana. Com uma diversidade de uvas indígenas única no mundo, que inclui o grandioso Nebbiolo, o versátil Barbera, o acessível Dolcetto, o elegante Moscato e dezenas de outras variedades menos conhecidas, o Piemonte oferece um universo de vinhos que não tem fim.
Nebbiolo: o rei do Piemonte
Barolo DOCG e Barbaresco DOCG, ambos produzidos com Nebbiolo, são os vinhos mais famosos e mais respeitados do Piemonte e, para muitos, de toda a Itália. O Barolo, produzido nas colinas de Langhe em torno de La Morra, Barolo, Castiglione Falletto, Serralunga d'Alba e Verduno, e seus primeiros crus (Cannubi, Brunate, Vigna Rionda, Cerequio) produzem tintos de longevidade extraordinária e de complexidade que rivaliza com os grandes crus de Borgonha. O Barbaresco, em Treiso, Neive e no próprio vilarejo de Barbaresco, é considerado mais feminino e elegante do que o Barolo, mas igualmente grandioso nos melhores produtores.
Barbera: o tinto do cotidiano
A Barbera é a uva mais plantada do Piemonte e a mais consumida pelos piemonteses no dia a dia. Barbera d'Asti DOCG e Barbera d'Alba DOC são as duas denominações principais. Com sua alta acidez, baixo tanino e aromas de cereja e fruta vermelha, a Barbera é o vinho mais acessível do Piemonte, mas nos melhores produtores (como Giacomo Conterno, Braida, La Spinetta, e Paolo Scavino) atinge níveis de qualidade que a elevam ao status de vinho fino de grande expressão.
Dolcetto: doce no nome, seco na taça
O Dolcetto (cujo nome significa "pequeno doce") é na verdade um vinho seco de amargor pronunciado, com aromas de cereja, alcaçuz e amêndoa amarga. Dolcetto d'Alba DOC e Dolcetto di Dogliani DOCG são as principais denominações. É bebido muito jovem (no máximo 2 a 3 anos) e é o vinho do dia a dia das Langhe piemontesas, tipicamente servido nos bar (cantinas) locais com antipasto di salumi (entradas de embutidos piemonteses).
Moscato d'Asti e Asti Spumante
O Piemonte é também a terra do Moscato. O Moscato d'Asti DOCG, feito de Moscato Bianco nas colinas de Asti, Cuneo e Alessandria, é um dos vinhos doces mais elegantes do mundo: levemente frisante (borbulhas suaves), baixo álcool (5,5%), com aromas de pera, pêssego, flores de laranjeira e mel. O Asti Spumante DOCG, mais espumante e com mais álcool (7-8%), é uma versão mais festiva e acessível. Ambos são incrivelmente populares internacionalmente, especialmente nos EUA e no Brasil.
Os vinhos brancos do Piemonte
Além do Moscato, o Piemonte tem brancos muito interessantes pouco conhecidos: Gavi di Gavi DOCG (de Cortese), Arneis di Roero (ligeiro e floral), Timorasso (de Tortona, um branco de grande longevidade e complexidade mineral que está em franca ascensão). Esses brancos merecem mais atenção do mercado internacional.
Harmonização
Barolo: tajarin com ragù de vitela, cinghiale con pappardelle, trufa branca com ovos, vitello tonnato. Barbera: pizza, pasta al sugo, antipasto di salumi. Dolcetto: salumi, bagna càuda (fondue de anchova piemontesa), frittura mista. Moscato d'Asti: torta di nocciole, tiramisù, panettone, pesche ripiene (pêssegos recheados). O Piemonte tem o vinho ideal para cada momento da refeição italiana, do aperitivo à sobremesa.
Piemonte é o melhor argumento para quem diz que o vinho italiano é apenas para massas e pizzas. É uma região de profundidade total, de uvas que não existem em nenhuma outra parte do mundo, de tradição e modernidade em tensão criativa permanente.