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Planalto Catarinense e São Joaquim: vinho de altitude

São Joaquim e o Planalto Catarinense são os vinhedos de altitude mais fascinantes do Brasil. Com frio, neve e aromas de montanha, produzem vinhos com refinamento europeu em terroir brasileiro.

O Planalto Catarinense, especialmente a região de São Joaquim, é um dos territórios vinícolas mais emocionantes e mais inesperados do Brasil. A mais de 1.400 metros de altitude, com invernos rigorosos que incluem neve ocasional e geadas frequentes, os vinhedos dessa região produzem vinhos de um refinamento e elegância que surpreende quem conhece o Brasil apenas pelo calor tropical.

A descoberta do potencial

A vitivinicultura de altitude em Santa Catarina é relativamente recente: os primeiros vinhedos sérios de variedades europeias na região de São Joaquim foram plantados nos anos 1990 e 2000. O pioneiro foi o enólogo Kenjiro Hayashi, da Empresa Pericó, que identificou em São Joaquim um microclima especialmente favorável ao Pinot Noir e ao Cabernet Franc. A descoberta desencadeou uma onda de investimentos de novos produtores que transformaram a região em um dos polos de enoturismo mais visitados do Sul do Brasil.

Por que a altitude faz diferença

A altitude de São Joaquim (1.200 a 1.500 metros) cria um microclima de amplitudes térmicas enormes: dias quentes e ensolarados de verão permitem a maturação dos açúcares nas uvas, enquanto as noites muito frias preservam a acidez natural e os aromas primários. Esse diferencial de temperatura (que pode passar de 20 graus Celsius entre o dia e a noite) resulta em uvas de alta concentração aromática, boa acidez e uma frescura que não é comum no vinho brasileiro de regiões mais baixas.

Pinot Noir: a descoberta mais emocionante

O Pinot Noir de São Joaquim é provavelmente a maior surpresa do vinho brasileiro. Em uma uva que a maioria dos países quentes não consegue cultivar com qualidade, Santa Catarina produziu um estilo próprio: Pinot com fruta vermelha, boa acidez e uma nota floral que é característica do frescor de altitude. A Pericó, a Villa Francioni (de Giovanni Rossi, um dos projetos mais sérios da região), a Abreu Garcia e a Aurora já produzem Pinot Noir de São Joaquim com reconhecimento nacional e crescente projeção internacional.

Cabernet Franc e Chardonnay de elegância

Além do Pinot Noir, o Cabernet Franc e o Chardonnay são as uvas que melhor se expressam no Planalto Catarinense. O Cabernet Franc, com suas notas de pimentão vermelho, violeta e especiaria, encontra no frescor da altitude uma dimensão que raramente atinge em climas mais quentes do Brasil. O Chardonnay de altitude tem mais mineralidade e acidez do que o gaúcho, aproximando-se de estilos europeus mais sóbrios.

Água Doce, Tangará e outras áreas

Além de São Joaquim, outras áreas do Planalto Catarinense começam a desenvolver vitivinicultura de qualidade: Água Doce, Tangará, Campos Novos e Videira. Cada uma dessas subregiões tem solos e microclimas ligeiramente diferentes que oferecem possibilidades de expressão de terroir ainda a serem completamente exploradas.

O enoturismo em Santa Catarina

A Serra Catarinense tem um enoturismo em pleno desenvolvimento: pousadas, restaurantes com vinhos locais, visitas guiadas a vinhedos nevados no inverno, festas da colheita e roteiros de montanha. A combinação de paisagem de altitude, gastronomia de colonização italiana e alemã e vinhos de qualidade crescente tornam o Planalto Catarinense um destino enoturístico cada vez mais atrativo para o viajante brasileiro.

São Joaquim é a prova de que o Brasil tem mais potencial vinícola do que se imagina. Em vinhedos de neve e frio de montanha, o vinho brasileiro encontrou uma dimensão nova que tem tudo para surpreender o mundo.

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