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Priorat: a ardósia catalã que produz os tintos mais intensos da Espanha

Priorat é uma região de ardósia catalã que produz tintos de intensidade e concentração extraordinárias. Com vinhas centenárias de Grenache e Carinhena, é um dos grandes terroirs da Espanha moderna.

Priorat é uma das histórias mais emocionantes do vinho espanhol moderno. Uma região quase esquecida, com vinhas abandonadas de mais de 100 anos e uma população em declínio, foi revitalizada nos anos 1980 e 1990 por um grupo de produtores visionários que encontraram no solo de ardósia (llicorella) um terroir de qualidade excepcional. Hoje, o Priorat é a segunda única região espanhola com classificação DOCa (Denominación de Origen Calificada), ao lado da Rioja.

O solo de ardósia: llicorella

O que define o Priorat é o solo chamado llicorella: ardósia negra e vermelha com partículas de mica que fragmentam a rocha e permitem às raízes das vinhas penetrar profundamente em busca de água e nutrientes. Esse solo drenante e de baixa fertilidade estressa a vinha de forma controlada, produzindo uvas de baixíssimo rendimento mas de concentração extraordinária. A ardósia também aquece rápido durante o dia e esfria rapidamente à noite, criando as amplitudes térmicas que preservam os aromas. O resultado é um vinho com a "assinatura" mineral da ardósia que é muito específica do Priorat.

Os pioneiros dos anos 1980

Em 1979, René Barbier Júnior descobriu o Priorat e convenceu quatro amigos (Carlos Pastrana, Carles Pastrana, José Luis Pérez e Daphne Glorian) a investir na região. Eles produziram juntos, a partir de 1989, cinco vinhos emblemáticos: Clos Mogador, Clos de l'Obac, Clos Martinet, Clos de la Sireneta e Clos Erasmus. Esses cinco vinhos transformaram o Priorat de região esquecida a um dos mais valorizados territórios vinícolas da Espanha e do mundo.

Álvaro Palacios e L'Ermita

O maior nome do Priorat moderno é Álvaro Palacios, membro de uma família vinícola de La Rioja. Com seu L'Ermita (feito de vinhas centenárias de Grenache num vinhedo de encosta de ardósia), ele criou o vinho mais caro e mais reverenciado da Espanha, avaliado por Robert Parker com 100 pontos em múltiplas safras. Seu Finca Dofí, mais acessível mas igualmente excelente, definiu o estilo moderno do Priorat: concentrado, mineral, com a fruta de Grenache e Carinhena enobrecida pelo solo de ardósia.

Garnatxa (Grenache) e Samsó (Carinhena)

As uvas tradicionais do Priorat são Garnatxa (o nome catalão para Grenache) e Samsó (Carinhena em catalão, Cariñena em castelhano, Carignan em francês). As vinhas velhas de Garnatxa, muitas com mais de 100 anos, produzem uvas de concentração extraordinária no solo de ardósia. A Samsó adiciona cor, estrutura e tanino. Muitos produtores modernos adicionam Syrah, Cabernet Sauvignon e Merlot nos blends, criando vinhos de projeção mais internacional.

Harmonização

Os vinhos do Priorat, com seus taninos potentes, alto álcool e concentração, pedem proteínas igualmente intensas: cordeiro assado com ervas do Mediterrâneo, javali em estufado, cozido catalão (escudella), aves de caça, queijos de ovelha de cura longa. Para os Priorat mais acessíveis, carnes grelhadas e embutidos ibéricos são escolhas felizes. Nunca sirva Priorat com pratos leves ou peixes: a potência do vinho domina qualquer delicadeza culinária.

Priorat é a prova de que a grandeza vinícola pode ser descoberta, não apenas herdada. Uma região esquecida, um solo de ardósia extraordinário e um grupo de apaixonados criaram um dos grandes vinhos do mundo moderno.

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