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Rioja: Espanha na taça, com um toque de carvalho americano

Rioja é a região de vinho mais famosa da Espanha, onde o Tempranillo envelhece em carvalho americano criando um estilo inconfundível. Conheça os níveis, os estilos modernos e os produtores históricos.

Rioja é sinônimo de vinho espanhol para a maioria dos consumidores do mundo. Com sua longa história de produção, seu sistema de envelhecimento em barrica de carvalho americano e seus Reserva e Gran Reserva de caráter inconfundível, a região do norte da Espanha construiu uma identidade global que poucos territórios vinícolas do mundo conseguiram. Mas a Rioja do século XXI não é apenas tradição: um movimento de produção de vinhos de parcela e de viticultores, com nova identidade, está transformando a denominação.

Localização e clima

A Rioja DOCa (Denominación de Origen Calificada, o mais alto nível de classificação espanhol) fica na bacia do Rio Ebro, ao norte da Espanha, entre o País Basco ao norte e Castela ao sul. O clima é protegido pela Sierra Cantábrica ao norte (que barra a umidade atlântica) e é mais cálido do que se poderia esperar na latitude. As três subregiões, Rioja Alta, Rioja Alavesa e Rioja Oriental, têm características de clima e solo muito distintas que influenciam diretamente o estilo dos vinhos.

O sistema de envelhecimento

O que define o estilo clássico da Rioja é o envelhecimento prolongado em barricas de carvalho americano (que dá uma nota de coco, baunilha e cedro característica) e em garrafa. Os níveis obrigatórios: Genérico/Joven (pouco ou nenhum envelhecimento), Crianza (mínimo 2 anos, sendo 1 em barrica), Reserva (mínimo 3 anos, sendo 1 em barrica), Gran Reserva (mínimo 5 anos, sendo 2 em barrica). Os melhores Gran Reserva, de produtores como La Rioja Alta, CVNE, Muga, Marqués de Murrieta e Bodegas López de Heredia (o mais tradicional de todos), são vinhos de complexidade extraordinária e longevidade de décadas.

López de Heredia: o guardião da tradição

A Bodegas R. López de Heredia Viña Tondonia é provavelmente a bodega mais tradicional de toda a Rioja e da Espanha: seus vinhos envelhecem em barrica por períodos muito mais longos do que o exigido, e são lançados no mercado apenas quando considerados prontos pelo produtor. O resultado são tintos e brancos de sabores de outro mundo: rançosos, oxidativos, de cor tijolo e sabores de cogumelo, couro, baunilha velha e especiaria que são completamente únicos no mundo do vinho. Seus Viña Tondonia Reserva e Gran Reserva são referências obrigatórias para entender o que é a Rioja.

A nova Rioja: vinhos de parcela e de viticultor

A partir dos anos 2000, um grupo de produtores independentes começou a fazer vinhos de uma só parcela (vinhedo único), com menos envelhecimento em barrica e mais expressão de terroir, desafiando o sistema clássico. Produtores como Artadi, Muga (com a linha Selección Especial e Torre Muga), Benjamín Romeo, Remelluri e Abel Mendoza criaram o movimento dos "vinos de pago" (vinhos de terroir específico) que hoje representa a face mais moderna e de maior prestígio da Rioja contemporânea.

Harmonização

Rioja Reserva e Gran Reserva: cordeiro assado (chuletillas), cochinillo (leitão assado), jamón ibérico curado, caça (perdiz, codorniz, faisão). A Rioja tradicional, com suas notas de baunilha e especiaria do carvalho americano, vai muito bem com pratos de longa preparação: estufados, guisados de carne e cozidos espanhóis (cocido madrileño). Para os vinhos modernos de parcela, as combinações são mais diversificadas: bife grelhado, presa ibérica, queijos curados. Para a Rioja branca (Viura/Malvasia), frutos do mar do norte da Espanha: anchovas, bacalhau a la Vizcaína.

Rioja é a Espanha numa taça: apaixonada, histórica, com um sistema de classificação e envelhecimento que é próprio e distinto do resto do mundo, e com uma identidade de carvalho americano e Tempranillo que é imediatamente reconhecível. Tinto de guarda por excelência do mundo ibérico.

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