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Sangiovese e o coração da Toscana

Sangiovese é a uva mais plantada da Itália e o coração da Toscana. Do Chianti ao Brunello, conheça os estilos, as regiões e a razão pela qual é uma das maiores uvas do mundo.

Sangiovese é a uva tinta mais amplamente cultivada da Itália, representando cerca de 10% de todo o vinhedo do país. É a uva de base do Chianti, do Brunello di Montalcino, do Vino Nobile di Montepulciano e de dezenas de outras denominações toscanas e da Itália Central. Sua versatilidade de estilos, da leveza do Chianti simples à grandiosidade de um Brunello de reserva, a coloca entre as maiores uvas do mundo.

Etimologia e origem

O nome Sangiovese vem provavelmente do latim "Sanguis Jovis" (sangue de Júpiter), embora essa teoria seja controversa entre os ampelógrafos. Sua origem exata ainda é debatida, mas a Toscana e a região central da Itália são seus territórios históricos. A uva apresenta alta variabilidade genética, com muitos biótipos (clones) que respondem de forma diferente a cada terroir, o que explica a diversidade de estilos que é possível obter com a mesma uva.

Chianti e Chianti Classico

O Chianti é a DOC mais famosa do Sangiovese e uma das mais antigas da Itália. O Chianti Classico DOCG, produzido na área histórica entre Florença e Siena, é a versão mais nobre do Chianti: exige mínimo de 80% de Sangiovese, e os vinhos com designação Gran Selezione (topo da pirâmide) são produzidos a partir de um único vinhedo e envelhecidos por mais de 2,5 anos. Produtores como Antinori, Castello di Ama, Isole e Olena, Fontodi e Felsina definiram o estilo do Chianti Classico moderno: vinho de elegância, acidez viva e notas de cereja, tomate seco, tabaco e especiaria.

Brunello di Montalcino: o grande Sangiovese

Em Montalcino, ao sul de Siena, o Sangiovese atinge sua expressão mais grandiosa. Aqui, a variante local chamada Brunello (provavelmente um clone específico de Sangiovese Grosso) produz vinhos de enorme concentração, acidez vivaz e longevidade extraordinária. Brunello di Montalcino DOCG exige um mínimo de 5 anos de envelhecimento (6 para Riserva), dos quais pelo menos 2 em barril de carvalho. Os grandes produtores de Montalcino, como Biondi-Santi (que criou o Brunello moderno no século XIX), Castello Banfi, Argiano, Case Basse e Il Marroneto, produzem vinhos que podem envelhecer por 30 a 50 anos.

Super Toscanos: Sangiovese com Cabernet e Merlot

Na década de 1970, quando as regras do Chianti dificultavam atingir alta qualidade, alguns produtores toscanos começaram a fazer vinhos fora das normas DOC, usando Cabernet Sauvignon, Merlot e outros blends com Sangiovese, que caíam na categoria de simples "Vino da Tavola". Vinhos como Sassicaia, Tignanello e Ornellaia, chamados "Super Toscanos", tornaram-se alguns dos vinhos mais famosos e caros do mundo, forçando a revisão das normas e a criação da DOC Bolgheri. Hoje esses vinhos são legalmente reconhecidos e custam centenas de dólares a garrafa.

Morellino di Scansano e outros Sangioveses

Na Maremma, região costeira da Toscana, o Sangiovese (aqui chamado Morellino) produz vinhos de estilo mais acessível, frutado e pronto a beber, sem a necessidade de envelhecimento do Brunello. Em Montepulciano (Vino Nobile), em Montefalco (como Sangiovese na Úmbria), em Emilia-Romagna e em diversas outras regiões do Centro-Itália, o Sangiovese também é cultivado com resultados muito variáveis mas sempre interessantes.

Harmonização

Sangiovese, com sua alta acidez e taninos firmes, é feito para a gastronomia italiana. Chianti com bistecca alla fiorentina é uma das combinações mais clássicas da culinária mundial. Sangiovese de qualquer nível vai bem com pizza napolitana, massas ao molho de tomate, lasanha, ossobuco e carne assada italiana. Brunello di Montalcino pede pratos de igual grandeza: cinghiale (javali) em tagliata, lepre in salmì, cinghiale com pappardelle. A alta acidez do Sangiovese também o torna um dos melhores tintos para pratos de peixe mais intensos, como atum grelhado e bacalhau.

O Sangiovese é o caráter italiano na taça: apaixonado, ácido, complexo e inseparável da sua culinária. Nenhum outro vinho acompanha a pasta ao sugo com a mesma precisão.

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