Tempranillo é indiscutivelmente a uva tinta mais importante da Espanha. Espinha dorsal das regiões mais famosas do país, de Rioja a Ribera del Duero, ela é uma uva de múltiplas personalidades: pode ser elegante e sutil ou encorpada e potente, dependendo da região, do estilo de envelhecimento e da safra. Entender o Tempranillo é entrar no coração do vinho espanhol.
Sinônimos e a presença por toda a Espanha
O Tempranillo é chamado de forma diferente em cada região espanhola: Tinto Fino em Ribera del Duero, Tinta de Toro em Toro, Ull de Llebre na Catalunha, Cencibel em La Mancha e Valdepeñas. Em Portugal, onde é amplamente cultivado no Douro e no Alentejo, é chamado de Aragonez ou Tinta Roriz. Essa onipresença por toda a Península Ibérica revela a adaptabilidade da uva a diferentes climas e solos.
Rioja: o endereço mais famoso do Tempranillo
A Rioja, no Norte da Espanha, é a DO (Denominación de Origen) mais famosa para o Tempranillo. Aqui, a uva é vinificada sozinha ou em blends com Garnacha, Graciano e Mazuelo, e o estilo de envelhecimento define os diferentes níveis: Joven (sem madeira ou muito pouca), Crianza (mínimo 2 anos, sendo 1 em barrica), Reserva (mínimo 3 anos, sendo 1 em barrica) e Gran Reserva (mínimo 5 anos, sendo 2 em barrica). A Rioja tem três subregiões distintas: Rioja Alta (mais fria e elegante), Rioja Alavesa (vinhos finos e minerais) e Rioja Oriental (mais quente e encorpada).
Ribera del Duero: poder e concentração
Ribera del Duero, no planalto castelhano a 850-900 metros de altitude, produz Tempranillo (aqui chamado Tinto Fino) de estilo muito diferente da Rioja: mais escuro, mais encorpado, com mais concentração e taninos mais firmes. O Vega Sicilia, produzido desde 1864, é considerado o maior vinho espanhol e um dos mais caros do mundo, e é feito principalmente de Tinto Fino. Outros produtores emblemáticos como Pesquera, Emilio Moro e Abadía Retuerta definiram Ribera del Duero como o epicentro do poder no vinho espanhol.
Toro: a potência ao extremo
Na DO Toro, a oeste de Ribera del Duero, o Tempranillo (aqui Tinta de Toro) produz vinhos de concentração extrema, com muito álcool e taninos possantes. Produtores como Numanthia (de onde saem os famosos Numanthia e Termes), Quinta de la Quietud e Bodegas Fariña mostram que o Toro pode ser extraordinário quando vinificado com respeito pelo fruto.
Características da uva
O Tempranillo amadurece cedo (seu nome vem de "temprano", cedo em espanhol), o que o torna adequado para regiões de clima continental onde a chegada do outono pode ser abrupta. Na taça, apresenta cor rubi profunda, aromas de cereja, ameixa, couro, baunilha (quando envelhecido em carvalho), tabaco e especiaria. A acidez é moderada, os taninos de grão médio a grosso, e o corpo vai de médio a encorpado dependendo da região.
Tempranillo no Brasil e no mundo
O Tempranillo está sendo cultivado com sucesso crescente no Brasil, especialmente na Serra Gaúcha e na Campanha, onde o clima mais frio permite uma maturação mais lenta e aromática. Algumas vinícolas gaúchas já produzem Tempranillo varietal de boa qualidade. No Chile e na Argentina, também aparece em blends e como varietal em regiões de altitude.
Harmonização
Tempranillo é um dos grandes parceiros de cordeiro e de assados espanhóis. Chuletillas de cordero, lechazo assado (cordeiro de leite ao forno), cochinillo e os pratos de caça espanhóis como perdiz e codorniz são as combinações clássicas. No Brasil, Tempranillo vai muito bem com carnes assadas com temperos suaves, costela ao forno e queijos curados de sabor médio. O Rioja Gran Reserva com cordeiro lentamente assado é uma das experiências gastronômicas mais completas do mundo ibérico.
O Tempranillo é a essência do vinho espanhol: apaixonado, encorpado, com história de séculos e com muitos capítulos ainda a serem escritos.