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Verdejo: o branco da Rueda que ganhou o mundo

Verdejo é o branco espanhol que renasceu em Rueda. Quase extinto no século XX, ele voltou com força como um dos brancos mais frescos e aromáticos da Espanha moderna. Conheça essa história de redescoberta.

Verdejo é a uva branca que melhor representa a Espanha do vinho branco moderno. Quase desaparecida no século XX, quando a maioria dos produtores de Rueda preferia fortificá-la para produzir um vinho oxidativo de estilo sherry, ela foi redescoberta nos anos 1970 por iniciativa do Marquês de Griñón e dos vinicultores que apostaram num novo estilo: fresco, aromático, seco e de alta acidez. O resultado transformou Rueda no mais famoso polo de vinho branco da Espanha.

História: da quase extinção ao renascimento

No século XVIII, Rueda era famosa por seus vinhos generosos (similares ao Sherry e ao Madeira) produzidos de Verdejo envelhecido oxidativamente. Com a modernização do mercado no século XX, esses vinhos oxidativos perderam espaço e os viticultores de Rueda começaram a arrancar os vinhedos de Verdejo e plantar outras variedades. Em 1972, o marquês de Griñón, Carlos Falcó, trouxe o enólogo Émile Peynaud de Bordeaux para reinventar o vinho de Rueda. Em 1974, lançou o primeiro Rueda Verdejo em estilo seco e fresco, criando o paradigma do branco espanhol moderno.

Características da uva

Verdejo tem origem provável no norte da África, trazida pelos mouros para a Península Ibérica durante a ocupação medieval. A uva tem casca espessa, resistência ao calor e aromas característicos: notas de erva-cidreira, pimenta verde (sem picância), fruta tropical (maracujá, goiaba), amêndoa e um toque de funcho. A acidez é média-alta e o corpo médio, com um final ligeiramente amargo que é sua assinatura ampelográfica. Essa combinação cria um vinho de muito boa energia e frescor.

Rueda DO: o território clássico

Rueda DO fica no noroeste da Espanha, na meseta castelhana ao sul de Valladolid, a 700-850 metros de altitude. O clima é continental extremo: invernos muito frios, verões muito quentes, mas com noites sempre frescas que preservam a acidez e os aromas das uvas. O solo arenoso e com cascalho do Rio Duero dá drenagem e ressalta a mineralidade do Verdejo.

Os grandes produtores de Verdejo

Marqués de Riscal (que lançou seu Marqués de Riscal Rueda em 1972, um dos pioneiros), Bodegas Belondrade y Lurton (que produz o Verdejo mais caro e conceituado de Rueda, o Belondrade y Lurton, envelhecido em barrica com contato de borras), Naia, José Pariente, Shaya (com suas vinhas velhas), Menade e Ossian (de Serrada, com vinhas centenárias de Verdejo) são os nomes de referência. O Ossian, de vinhas com mais de 130 anos de Verdejo, é um dos brancos espanhóis mais complexos que existem.

Rueda Verdejo com carvalho

Uma tendência crescente é a produção de Verdejo "barrel-fermented" ou com passagem por barrica: vinhos como o Belondrade y Lurton e o Shaya Habis mostram que o Verdejo com carvalho cria um estilo completamente diferente do clássico fresco, mas de muito alta complexidade: notas de baunilha, tosta e mel se adicionam aos aromas varietais, com textura cremosa que amplia a capacidade de acompanhar pratos de maior substância.

Harmonização

Verdejo clássico fresco: frutos do mar espanhóis (gambas al ajillo, berberechos, zamburiñas), ensalada mixta, tortilla espanhola, gazpacho, tapas variadas. Para o Verdejo de mais corpo: bacalhau com pimentos, rape al horno, vieiras com molho de limão, peixe ao sal. Verdejo com carvalho: frango assado de Castela, peixe en salsa verde, cogumelos salteados. O Verdejo, em seus diferentes estilos, é o melhor branco da Espanha para a mesa cotidiana de qualquer estação do ano.

Verdejo é a história de que o bom vinho sobrevive ao abandono e se reinventa. Uma uva quase morta que encontrou apaixonados, reinventou seu estilo e se tornou o branco espanhol mais exportado e mais amado da era moderna. Uma história de reivindicação de identidade que é um dos contos mais belos do vinho europeu.

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